Começamos este episódio em Winterfell, com Theon a acordar e a perceber que Osha já não o acompanha. Quando sai para o exterior, percebe que um dos seus guardas foi morto e que os rapazes Stark fugiram. Rapidamente se junta um grupo para os perseguir, comandado por Theon e acompanhado por cães. A alguma distância dali, Bran, Rickon, Hodor, Osha e os lobos Summer e Shaggydog vagueiam juntos e Osha lamenta-se por não terem levado mais comida e o grupo hesita entre pedir ou não ajuda numa quinta vizinha. E finalmente o Rickon teve falas!

Para lá da Muralha, Jon e Ygritte acordam da noite gelada e continuam o seu caminho, apesar de Jon aparentar estar um pouco perdido e não saber por onde deve seguir para encontrar o seu grupo. Este episódio teve 2 ou 3 cenas entre os dois e, muito sinceramente, todas me pareceram iguais. Ou seja, a Ygritte constantemente a provocá-lo com insinuações (ou mesmo diretas) sexuais, Jon a sentir-se incomodado com isso, e também algum diálogo sobre o Povo Livre/Selvagens. Com tanta conversa, às tantas Jon acaba por distrair-se, deixa Ygritte fugir e depressa se vê rodeado por outros selvagens. Neste episódio, deu para ver que este Jon Snow afinal sempre tem mais que uma expressão e foi mesmo possível vislumbrar dois meios-sorrisos. Mas mesmo assim sabe-me a pouco. Quanto à Ygritte, acho que a atriz está a ter um bom desempenho, apesar de a personagem me parecer mais metediça e provocadora do que a do livro - o que até acaba por ser positivo, tendo em conta o enfado que tenho sentido com esta parte da história em particular. Mas digo desde já que nunca simpatizei muito com a personagem nos livros e isso pode afetar, de certo modo, a forma como encaro a sua participação na série.
Por outro lado, em Harrenhal têm estado as melhores cenas desta segunda temporada, na minha opinião. Já disse antes e volto a dizer: é uma verdadeira delícia assistir aos diálogos entre Charles Dance e Maisie Williams, uma alteração muito bem-vinda em relação ao que acontece nos livros. Bons diálogos e, acima de tudo, excelentes interpretações. Neste episódio, os dois falam, entre outras coisas, sobre a guerra que está a decorrer, a Guerra dos Cinco Reis, mas também sobre histórias de Harrenhal e do passado, com Arya a demonstrar grande conhecimento sobre a história de Westeros. Afinal não é assim tão difícil contextualizar este mundo inventado sem recorrer ao sexo, e ainda mais: com cenas interessantes, bem escritas e bem representadas. Ah, e agora é óbvio que Tywin sabe que Arya não é quem diz ser e que a sua origem é mais nobre do que ela quer dar a entender. Vamos ver onde termina este perigoso jogo...
No início desta cena, tivemos também um vislumbre do "novo" Gregor Clegane, a Montanha, que incluiu algumas falas. Para ser curta e grossa, não gostei. Apesar de ser muito alto, o ator não me inspira a mesma sensação de "medo" que Conan Stevens e a voz fez-me lembrar os piores momentos do Batman.
Em King's Landing, Sansa encontra-se num corredor com Sandor Clegane e os dois trocam algumas palavras. Sansa agradece a Sandor por a ter salvo e este não se poupa a sarcasmos na sua presença. Acho que já tinha dito por aqui que o Hound é uma das minhas três personagens preferidas do livro, a seguir ao Jon e ao Jaime. Apesar de achar que os seus diálogos e personalidade são fiéis aos do livro e que o ator está a fazer um bom trabalho, há ali qualquer coisa que para mim não bate certo e que não consigo identificar em concreto. Este Hound não é o "meu" Hound, mas fico curiosa por ver como vão ser as cenas que se avizinham.
Mais tarde, Sansa está a ter um pesadelo, acorda, e percebe que a menstruação lhe apareceu pela primeira vez, o que significa que agora está pronta para poder casar com Joffrey. Apesar das tentativas de esconder o facto, com a ajuda de Shae, Sandor descobre o que aconteceu e passa a informação a Cersei, que aproveita para falar com Sansa sobre o facto de se ter tornado mulher, acrescentando que Joffrey sempre foi difícil (LOL, para ser simpática) e recorda como foram os seus partos, o desprezo de Robert e o apoio de Jaime. Uma boa cena, que novamente suaviza um pouco o caráter de Cersei, como tem vindo a ser hábito na série televisiva.

Em Qarth, Xaro considera que foi um dos Treze que roubou os dragões de Dany, mas descarta-se das culpas e insiste que irão recuperá-los. Entretanto, Jorah regressa da sua busca por barcos apoquentado pelo roubo dos dragões. Dany culpa-se por ter trazido o seu povo para o covil do lobo e Jorah culpa-se por a ter deixado, permitindo que os dragões desaparecessem. Dany sente-se sozinha e acha que não pode confiar em ninguém. Quando Jorah se aproxima de Dany, esta refere o facto de ele se estar a tornar demasiado familiar e pede-lhe que a ajude a encontrar os dragões, se quiser ajudar. Jorah: um bom exemplo de uma personagem que me parece bem mais interessante na série do que nos livros - e juro que não tem nada a ver com a camisa amarela (ok, se calhar um bocadinho :D)
Mais tarde, Jorah fala de novo com a mulher mascarada, Quaithe, que parece saber dos sentimentos de Jorah por Dany, que a traiu antes, e que o ladrão dos dragões está Dany naquele preciso momento. E Dany está na presença do Conselho dos Treze de Qarth, e aí Pyat Pree diz a Dany que ela deverá ir à Casa dos Imortais, onde ele os escondeu. É então revelado que o esquema estava montado desde que Dany chegou a Qarth e que Pyat contou com a ajuda de Xaro para levar a cabo a tarefa. Então, cada um dos criados dos Treze se aproximam deles e cortam-lhes as gargantas - para surpresa de Dany, todos eles têm o rosto de Pyat Pree. Dany e Kovarro fogem, encontram Jorah e mais um clone de Pyat, que não conseguem matar. Os três acabam por conseguir fugir. Tudo isto não acontece no livro, mas confesso que achei os desenvolvimentos interessantes e acabou por confirmar uma das teorias que tinha para o roubo dos dragões, o de servir de pretexto para Dany ir à Casa dos Imortais.
Mas é no acampamento de Robb que decorrem os acontecimentos que dão o nome a este episódio. Depois do regresso de Alton Lannister com a (não) resposta de Cersei às exigências de Robb, este é colocado na cela de Jaime. Entretanto, Talisa dirige-se a Robb para lhe pedir que na visita a Crag peça ao Maester local algum material para poder trabalhar. Robb acaba por convencê-la a ir com ele. Na cela de Jaime (que não víamos desde o primeiro episódio, infelizmente), este conversa com o seu parente sobre o passado e Alton revela o quanto admira Jaime, e o próprio Jaime acaba por recordar o quanto admirava Barristan Selmy. Quando a fuga da cela é referida, Jaime diz a Alton que a solução é a morte deste e acaba por matá-lo. Quando o seu guarda, Torrhen Karstark, chega, Jaime enforca-o com as suas correntes e rouba as chaves das suas algemas. Mas não vai longe... no dia seguinte, de manhã, Catelyn ouve um tumulto e percebe que apanharam o Regicida quando este tentava fugir. O pai Karstark deseja vingança pela morte do filho e é com muito custo que Catelyn consegue impedir que Jaime seja mesmo ali morto, apesar de também não lhe faltar vontade que isso aconteça. Entretanto, Jaime continua com as suas tiradas sarcásticas, já imagem de marca desta personagem. Mais tarde, Catelyn e Brienne visitam-no na cela e Jaime fala sobre a ambiguidade dos seus votos, sobre o Rei Aerys, que assassinou e provoca Catelyn com o bastardo de Ned. A cena termina com Catelyn a pedir uma espada a Brienne.
Gostei bastante das cenas de Jaime, porque penso que foram, acima de tudo, boas para definir melhor a ambiguidade moral do seu caráter e o que define a sua personalidade. Bons diálogos e excelente desempenho de Nikolaj Coster-Waldau.
Ainda em King's Landing, Tyrion dá um ar da sua graça neste episódio, num diálogo com a irmã, que é particularmente útil para vermos a falta de proximidade entre os dois, apesar da admissão às clara do incesto por parte de Cersei.
O episódio termina em Winterfell, com Theon a mostrar no pátio de Winterfell dois corpos queimados e desfigurados de crianças, que os presentes acreditam ser de Bran e Rickon.
Mais um bom episódio, que não considerei tão interessante como o anterior mas que mesmo assim abre boas perspetivas para o que se avizinha.
8/10